publicado dia 22/12/2025
Todos os dias, milhares de mestrandos e doutorandos se deslocam por diferentes regiões do país para produzir ciência de alto nível e contribuir com o desenvolvimento nacional. Apesar de integrarem uma das maiores políticas públicas de formação avançada do hemisfério sul, esses jovens pesquisadores ainda enfrentam um cenário marcado pela baixa valorização, insegurança, ausência de direitos básicos e incertezas quanto ao futuro profissional.
Diante desse contexto, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) lançou o Dossiê Newton Sucupira, uma publicação dedicada a analisar a inserção profissional de mestres e doutores no Brasil. A iniciativa dá continuidade a uma série de dossiês que buscam iluminar gargalos estruturais da pós-graduação, da ciência e do desenvolvimento nacional. O primeiro volume, o Dossiê Florestan Fernandes, abordou o lugar do pós-graduando no mundo da formação e do trabalho.
O novo dossiê homenageia Newton Sucupira, responsável pelo parecer que estruturou o sistema de pós-graduação brasileiro. Ao retomar esse marco histórico, o documento revisita os três pilares originais do projeto: a formação de professores, a qualificação de profissionais para o mercado de trabalho e a produção de conhecimento científico. Mais de cinquenta anos depois, a ANPG propõe uma reflexão crítica sobre como esses princípios se articulam atualmente e sobre as dificuldades de absorção de mestres e doutores fora do ambiente acadêmico.
O estudo problematiza o modelo vigente, no qual a maior parte dos titulados acaba direcionada quase exclusivamente para a universidade, levantando questionamentos sobre o papel dos setores produtivos não acadêmicos na incorporação dessa mão de obra altamente qualificada. Para a entidade, a ausência de uma política nacional estruturada de inserção profissional limita o potencial transformador da ciência e compromete o planejamento de vida de uma geração inteira de pesquisadores.
Mais do que apresentar diagnósticos, o Dossiê Newton Sucupira busca provocar o debate e mobilizar instituições públicas e privadas em torno da construção de soluções. A ANPG defende a formulação de uma política nacional de inserção de mestres e doutores articulada à estratégia de ciência, tecnologia e inovação, à política industrial e a um projeto de soberania nacional.
Em um cenário internacional marcado por disputas econômicas e tecnológicas, o documento reforça que o investimento em ciência, tecnologia e educação segue sendo determinante para o futuro das nações. Para a entidade, não haverá soberania nacional sem CT&I fortalecida, capacidade produtiva ampliada e valorização dos trabalhadores científicos.
Ao se aproximar de seus 40 anos de atuação, a ANPG reafirma seu compromisso com a defesa da pós-graduação e da ciência brasileira. O dossiê é apresentado à comunidade acadêmica, ao poder público, às empresas e à sociedade como um chamado à ação: transformar o investimento feito na formação de pesquisadores em desenvolvimento, inovação e bem-estar social.
Confira o dossiê completo: https://drive.google.com/file/d/19JG_1ng7IzmOVp7cPw8Q6gIQM74iA1Hz/view?usp=sharing