Pesquisadores da UPE participam de Estudo internacional que reúne maior análise já realizada sobre crianças com microcefalia associada ao Zika
Publicado em 30/12/25
Foram publicados, nesta última segunda-feira (29/12), na revista PLOS Global Public Health, os resultados da maior análise com dados primários já realizada no mundo envolvendo crianças com microcefalia relacionada ao vírus Zika. O estudo analisou informações de 843 crianças, nascidas entre janeiro de 2015 e julho de 2018, participantes de 12 coortes do Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC-Consórcio).
Intitulado “Characterization of 843 children with Zika-related microcephaly in the first three years of life: An individual participant data meta-analysis of 12 cohorts in the Zika Brazilian Cohorts Consortium”, o trabalho reuniu dados individuais primários de crianças provenientes das regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil, com o objetivo de caracterizar de forma abrangente os quadros de microcefalia associados à infecção congênita pelo Zika.
De acordo com a pesquisadora Elizabeth Moreira, da Fiocruz-RJ, até então a caracterização da Síndrome Congênita do Zika (SCZ) baseava-se, majoritariamente, em séries de casos e estudos com amostras reduzidas. “O tamanho relativamente grande da amostra permitiu observar que, entre as crianças com microcefalia, existe um espectro na gravidade e nos tipos de manifestações da SCZ”, destacou.
Entre os desfechos mais frequentes identificados pelo estudo estão as anormalidades estruturais do sistema nervoso central, detectadas por exames de neuroimagem, além de alterações nos exames neurológico e oftalmológico, conforme explica a professora Cristina Barroso Hofer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo o professor Ricardo Ximenes, da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), os danos ao sistema nervoso central observados exigem cuidados multidisciplinares, com acompanhamento de diferentes especialidades médicas e áreas da saúde ao longo do desenvolvimento das crianças.
Para o professor Demócrito Miranda, da UPE, a relevância do estudo está em consolidar o conhecimento acumulado ao longo da última década. “Trata-se de um marco que sintetiza evidências construídas desde o início da epidemia de microcefalia, identificada inicialmente no Nordeste brasileiro”, afirmou.
O ZBC-Consórcio reúne pesquisadores de diversos estados e instituições brasileiras dedicados ao estudo das consequências da transmissão vertical do vírus Zika, contribuindo de forma significativa para a compreensão e descrição da Síndrome Congênita do Zika.
O artigo é liderado pelos professores do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UPE (PPGCS-UPE) Demócrito Miranda-Filho, Ricardo Ximenes e Ulisses Ramos Montarroyos, em parceria com as pesquisadoras Maria Elisabeth Moreira, do IFF/Fiocruz-RJ, e Cristina Barroso Hofer, da UFRJ. O estudo pode ser acessado gratuitamente pelo link: https://doi.org/10.1371/journal.pgph.0005425
